Anedotas literárias: Os Inovadores – Walter Isaacson (01) – Como a filha rica de um pai louco, mau e perigoso, encontrou na interseção entre ciências e arte para revolucionar o conhecimento

Seguindo com meu plano, em não cumprir o que não prometi, começarei a replicar no blog rascunhos de pensamentos sobre livros que eu esteja lendo, relendo, adorando, cultuando, enfim…

Nessa primeira tentativa, tratarei de alguns insights sobre o livro de Walter Isaacson, Os Inovadores (se quiser ler uma crítica, se quiser comprar).

Ada Lovelace, em razão de ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, Máquina de Babbage, é considerada a primeira programadora da história [1]Huskey, Velma R.; Huskey, Harry D. (1980). «Lady Lovelace and Charles Babbage». Annals of The History of Computing (em inglês). 2 (4). Arlington, VA: American Federation of Information Processing Societies. 384 páginas. ISSN 1058-6180. Infelizmente, uma das figuras ligadas a história da computação menos conhecidas.

Acontece que Ada, era filha  justamente de Lord Byron, aquele Byron, um dos grandes do romantismo, que de uma lapada de vida escreveu Don Juan e A Peregrinação de Childe Harold, ainda inventou um conceito que tem seu próprio nome o chamado herói byroniano [2]cf. ¶ 3 em artigo no tópico de Norton Anthology of English Literature A ideia do herói byroniano é aquele que consiste em muitas características diferentes. O herói deve possuir um nível elevado de inteligência e percepção, bem como ser capaz de se adaptar facilmente a novas situações e usar a astúcia para seu próprio ganho.  .

A mãe de Ada, Anne Isabella Milbanke, que já havia fugido de Lord Byron (ressalta-se aqui as peripécias do 6º barão de Byron, ditas como a única fonte de inspiração para suas histórias), sabendo da veia romântica que a filha herdaria do pai, tentou durante toda a infância compensar com aulas de ciências, especialmente matemática. Embora todos os esforços da mãe, Ada desenvolveu algumas linhas da personalidade byroniana, existindo um relato no livro que aponta que ela havia fugido com um tutor em sua adolescência. A combinação produziu em Ada um amor pela chamada “ciência poética”, para a sorte da humanidade, interseção indissociável entre ciências e artes.

Aos dezessete anos, na época que foi apresentada a sociedade londrina e apesar de todo o glamour envolvido nas grandes festas, uma festa em especial chamou a atenção: o famoso Sarau de Babbage. As festas promovidas por Babbage [3]Tanenbaum, Andrew (2007). Modern Operating Systems (em inglês) 3ª ed. [S.l.]: Prentice Hall. p. 7. 1104 páginas. ISBN 0-13600663-9 eram épicas e o reduto dos intelectuais de Londres a época, chegava a receber 300 pessoas em cada uma delas. Portanto, se você fosse do círculo intelectual (artista, aristocrata, engenheiro, ator, político, poeta) era lá que estaria no sábado a noite.

Babbage é conhecido como e referenciado como o inventor que projetou o primeiro computador de uso geral, utilizando apenas partes mecânicas, a máquina analítica.

O ponto alto da festa era quando Babbage demonstrava sua máquina analítica, gerando sequências de números e em dado momento alternando os padrões de acordo com instruções que ele passava para a máquina. Lembre-se, a máquina era enorme, ocupando boa part

Acontece, que dentre todos estes, a única pessoa que entendeu realmente o que aquela máquina fazia, foi ela: Ada Lovelace. Uma menina de 17 anos da aristocracia, que tinha um pai, descrito como, “louco, mau e perigoso”, descrição de lady Caroline Lamb.

 

Ada viu além, algo além de uma máquina de calcular. Posteriormente Ada faria a célebre observação de que as máquinas nunca poderiam de fato pensar.

Conforme o livro relata o interesse de Ada por tecnologia, havia crescido ainda quando a mãe a levou em viagem aos diversos distritos industriais britânicos, onde viu fábricas e maquinaria. Foi lá onde ela viu um tear automático, que utilizava cartões perfurados para selecionar o padrão de tecido desejado.

O que é mais irónico ainda, porque em seu primeiro discurso na Câmara dos Lordes, em 1812, quando tinha 24 anos, Byron defendeu os seguidores de Ned Ludd, que estavam protestando contra os teares mecânicos.

É interessante como a história permeada de ironias, permitiu a interseção. de tantas diferentes visões de mundo, para que uma garotinha pudesse ver de relance e ajudar na revolução do conhecimento humano. Se você está lendo isso, eis alguns dos nomes menos conhecidos, que fazem parte dessa história.

Recomendo a leitura do livro pra mais detalhes.

Referências   [ + ]

1. Huskey, Velma R.; Huskey, Harry D. (1980). «Lady Lovelace and Charles Babbage». Annals of The History of Computing (em inglês). 2 (4). Arlington, VA: American Federation of Information Processing Societies. 384 páginas. ISSN 1058-6180
2. cf. ¶ 3 em artigo no tópico de Norton Anthology of English Literature A ideia do herói byroniano é aquele que consiste em muitas características diferentes. O herói deve possuir um nível elevado de inteligência e percepção, bem como ser capaz de se adaptar facilmente a novas situações e usar a astúcia para seu próprio ganho. 
3. Tanenbaum, Andrew (2007). Modern Operating Systems (em inglês) 3ª ed. [S.l.]: Prentice Hall. p. 7. 1104 páginas. ISBN 0-13600663-9

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *